Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo reflexões

Quando assistir televisão é um vício

A televisão e os seus conteúdos são ficções. Dizem que eles servem de entretenimento, mas, para uma alma carente, acabam por ser um entorpecente. Cativam dessa pessoa o tempo e as forças, esgotando-os enquanto o espectador se mantém sentado e atento a uma vida virtual. Aquele que assiste televisão por muito tempo, deixa de viver para contemplar vidas fictícias alheias, gasta suas forças com a preguiça, rende-se irrefletidamente ao discurso televisivo. É fato que, assistindo algo, posiciona-se como espectador. Olha, nota os detalhes, fica à disposição de acolher algum bem ou alguma verdade, recebe discursos e imagens, seguindo o ritmo ditado pela transmissão. Isso toma tempo, mas, principalmente, a vida. Sentado com os olhos atentos ao que aparece na tela. abre mão de agir, desbravar a realidade e, como diz São Paulo, combater o bom combate. Nas atrações da televisão está a tentativa de imitar a vida, porém oferecendo o conforto de não expor seus expectadores aos riscos de ferir-se...

Mistério

O mistério tornou-se, para mim, um tema de pensamento, quando li, pela primeira vez, o livro de Jacques Maritain chamado Sete lições sobre o ser . Nesse livro, Maritain tem como objetivo mostrar a atualidade do pensamento tomista e, para tanto, já nos primeiros capítulos, ele apresenta a distinção entre problema e mistério . Se bem compreendi, essas noções são dimensões de uma mesma realidade: o problema é a parte a ser solucionada e o mistério a parte a ser aprofundada. Maritain evoca várias imagens para esclarecer essas coisas. O problema é como o novelo de lã a ser desembaraçado, por isso algo a ser resolvido. O mistério é como fonte de água a ser continuamente consumida - bebemos sempre, mas, não importa o quanto bebemos, sempre há mais*. Quando li esse livro de Maritain, também li O que é filosofia? de Deleuze e de Guattari. Não sei se estou fazendo grande confusão ao misturar a reflexão desses autores, mas quando li Deleuze descrevendo os planos de imanência, suspeitei que, no ...

Filosofia necessita da sua história?

No primeiro ano de filosofia, alguns dos meus colegas veteranos e alguns dos professores me apresentaram o que pensavam ser o cerne da atividade filosófica: a leitura estrutural dos textos escritos pelos grandes filósofos. Tratava-se de uma tarefa cansativa, mas, surpreendentemente, reveladora: desde cedo, eu e meus colegas calouros ficamos cientes de quanto nossas habilidades de leitura e escrita estavam aquém do grau exigido para um boa compreensão e reconstrução dos argumentos dos filósofos. Com o passar do tempo, principalmente no meu caso, convenci-me de que a filosofia se restringia ao bom entendimento e à rigorosa formulação de argumentos. Bem, não preciso prolongar tanto essa descrição para dizer que, hoje, não estou tão convencido disso. A filosofia que aprendo é uma filosofia que propõe um diálogo constante com a história da filosofia. Devo deixar claro que estudar a história da filosofia, neste caso, não significa ler manuais de filosofia. Em geral, a comunidade acadêmica nã...

Como vejo a filosofia no meu tempo

A filosofia que me é ensinada é uma filosofia comprometida com os textos e com seus respectivos autores. Aprendo a analisar argumentos - identificá-los e reconstruí-los - e, de certo modo, reaprendo a ler e a escrever para melhor cumprir esse ofício. Não preciso ter um conhecimento muito extenso de história da filosofia para perceber que essa atividade está muito aquém do que significa filosofar, mas, no instante em que tenho essa percepção, vem-me também a pergunta: o que é a filosofia, para que de sua definição eu extraia os critérios para acusar o que aprendo como não sendo filosofia? Não tenho resposta consistente para essa pergunta, quem dirá correta. Penso que essa minha indisposição ou, melhor, inabilidade em dar resposta a essa pergunta, tão fundamental a um estudante de filosofia, é o preço que a minha geração paga por uma dívida contraída em algum momento, por algum pensador. Não arrisco apontar o autor da dívida, mas é inegável que ela tenha sido contraída. Que dívida seria ...