A televisão e os seus conteúdos são ficções. Dizem que eles servem de entretenimento, mas, para uma alma carente, acabam por ser um entorpecente. Cativam dessa pessoa o tempo e as forças, esgotando-os enquanto o espectador se mantém sentado e atento a uma vida virtual. Aquele que assiste televisão por muito tempo, deixa de viver para contemplar vidas fictícias alheias, gasta suas forças com a preguiça, rende-se irrefletidamente ao discurso televisivo. É fato que, assistindo algo, posiciona-se como espectador. Olha, nota os detalhes, fica à disposição de acolher algum bem ou alguma verdade, recebe discursos e imagens, seguindo o ritmo ditado pela transmissão. Isso toma tempo, mas, principalmente, a vida. Sentado com os olhos atentos ao que aparece na tela. abre mão de agir, desbravar a realidade e, como diz São Paulo, combater o bom combate. Nas atrações da televisão está a tentativa de imitar a vida, porém oferecendo o conforto de não expor seus expectadores aos riscos de ferir-se...